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De manhã se espreguiçar

Enquanto você dorme ao lado, olhos mais fechados do mundo, o mundo fica correndo desesperado lá fora, maluco, mesmo em silêncio, atento, escuto o ruído rouco que o mundo à noite faz.

Enquanto você dorme, isenta e astuta, a noite sopra na janela verdades ancestrais, inaudíveis sons de guerra e paz.

Enquanto seu sono pesa o peso puro e bom de toneladas e mais toneladas de sonho quieto, de uma quietude que contém em si a nobre leveza de se ser espiritual, a noite voa veloz e morcega pelas entranhas da nuvem lenta que, não tão sólida porém densa, acompanha passo a passo seu sonho leve que, devagar e aventureiro, sorri infantil ao passar.

Em teu sonho cabe o mundo inteiro, teu sonho é que não cabe inteiro no mundo: sonha um mundo novo, outro planeta, aonde haja mais espaço pra esse lindo sonho todo guardar, depois acordar e tudo, como fosse nada, esquecer. 

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xadrez

aquela vez

que vez não foi

quando eu não

era um

quando eu e tu

não éramos dois

quem sabe três

ah, essa dor

peças opostas

no xadrez

eu não fui

tu já voltou

o teu rei

passado

passou

xeque-mate

meu amor

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“Aqui, escuta-me baixinho, enquanto as estrelas explodem no céu: eu amo você, eu amo você. Enquanto as guerras fazem mortos e o ser humano morre lentamente, engolindo a dor e fazendo dela vômito: eu amo você, eu amo você. Nos livros de clarice, nos contos do caio, no drama de bukowski, na fala de quem não tem o que comer, naquilo que é inverdade, no arco-íris preto e branco: eu amo você, eu amo você. Com a solidão sussurrando mentiras e o vazio exaurindo meus espaços; com a náusea fazendo presença e a incompreensão batendo na porta: amo você, eu amo você. Na paz que deixou de existir e na esperança carregada nos olhos daquele que está ferido: eu amo você, eu amo você. Porque os dias estão atribulados e o peso é grande demais para que eu aguente sozinho. Eu tenho você e repito que é amor, que é consolo, que é abrigo, quase que como um mantra para que eu jamais me esqueça da sua presença me invadindo quando me queixo demais pois me sinto só. Porque os carros da cidade buzinam insolência e eu só preciso me aninhar no teu abraço e fazer dele minha casa. “Pode lar ser uma pessoa e não uma casa?” e pode sim, teu corpo é minha moradia contra trovoadas e chuvas ácidas e teus braços são montanhas na qual eu descanso, alívio. Porque eu te amo demais até quando tropeço no meio da rua e até as pedras, meu bem, até as pedras sabem o motivo dos meus sorrisos. Nos furacões norte-americanos e nos tsunamis japoneses, nas ilhas inalcançadas e nos desabrigos da alma: eu amo você, eu amo você, eu amo você.”

— Floresinexatas

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Temos a Mesma Edição Deste Livro

 Que coisa estranha esta contracapa, estas folhas velhas e gastas. Que obsoleto este cansaço absurdo de ler o mesmo parágrafo vezes sem conta por me perder nas nuvens que ora estão arroxeadas, ora branquinhas, ora noite

 Fala de quê esta temática confusa? Tem tantos atalhos, tantas rábulas para chegar de lugar incerto para a incerteza de lugar nenhum. Medo de quê? Medo de se ficar preso no mesmo parágrafo sem sair do título do capítulo (“terei lido já este?”).
 Em que página se fica? Procurei a fundo saber o que é o sono e de onde vem ele. Porque nos rodeamos de cafeína e rejeitamos o descanso? Repudiamos passar o tempo em transportes, a espera e o “oh, espera”. É verdade que passamos metade da vida a esperar mas, porra, como odiamos tal coisa!
 Tinha um nome engraçado, se calhar nem por isso, mas fez-me rir na altura - debaixo de um braço elegante, o mesmo título, o mesmo sorriso estilo Mona Lisa e um nome adesivado à impaciência que não consegui ler porque era esta a minha paragem do 735.

 Até breve.

Manuel Seatra
17/09/2014
00:23h

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"E vocês sabem o que é um sonhador, cavalheiros? É um pecado personificado, uma tragédia misteriosa, escura e selvagem, com todos os seus horrores frenéticos, catástrofes, devaneios e fins infelizes… um sonhador é sempre um tipo difícil de pessoa porque ele é enormemente imprevisível: umas vezes muito alegre, às vezes muito triste, às vezes rude, noutras muito compreensivo e enternecedor, num momento um egoísta e noutro capaz dos mais honoráveis sentimentos… não é uma vida assim uma tragédia? Não é isto um pecado, um horror? Não é uma caricatura? E não somos todos mais ou menos sonhadores?" - Fiodor Dostoievski. 
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"

Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido…
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida…

" - Fernando Pessoa, Lisbon Revisited 
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"Chegamos a um certo ponto de pura lucidez" - d
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