… pra janela vou comprar cortinas novas, azuis com pequenas margaridas, só pra combinar com o mar que desenha o horizonte, só pra ver o movimento das flores quando a brisa do amor chegar.
Elisa Bartlett
sobre essa armadura, é o que eu sou

sem o brilho extasiado nos olhos e a eloquência de um amor viril, cabe a mim, me afogar. sem os sorrisos calorosos e as chegadas, só me resta partir também. sou o desafago, a desarmonia do que um dia já foi orquestra, o pianista solitário que procura alcançar uma nota impossível e por isso passa horas a fio entretido na busca de respostas que jamais serão encontradas - jamais foram ou serão respondidas. e as perguntas se materializam, aço fincado na pele, cobertura do metal resistente à danos, sou. por entre as aberturas do capacete, vejo o mundo, nas minhas mãos o enrijecer dos ossos maltrata, molda, tem o acabamento. tornou-me só, tornei-me ferro na espera de um dia (quem sabe) pó. hoje não.

a sua voz é bonita mesmo encharcada de whisky
e me faz estremecer em pequenas doses

Se derrame.
Se der ame.

Você faz florir uma primavera dentro de mim.
Maria, por João.
Se for pra me matar, que não seja por dentro.
— Apagão.
3
Decadência: Um corpo cheio de ausência.
— G. Meira
Dor,
Ardor,
E solidão.
Bati na quina da mesa a ponta do meu coração.
— Antes fosse o dedo, G. Meira.
Coração:
Meu botão de auto-destruição.
— G. Meira
E eu espero por você desde abril,
Nesse meu poema primaveril,
Para que abram-se as flores
E o seu coração.
— G. Meira
Mudar de pele, de horizonte.

O desconhecido. A avidez do amanhecer. A luz mortiça da escuridão e a radiação dos gritos de um ser morto. As lágrimas presas, mas motivos para sairem não faltam. O cheiro moribundo da mudança, da morte. A escapatória fugaz de um sorriso sem alegria. A manhã que guarda ruas vazias. Gritos e sussurros. As marcas de unha na pele pálida que transparecem o desespero. O céu sem estrelas. E universo sem escuridão e sem luz. O abismo sem fundo iluminado com o negro. O olhar com peversidade para o céu. A gravidade e o descuido tropeço para o abismo. Sem esquecer da matéria escura que ninguém descobre o que realmente é. A fresta de luz deixando o quarto em penumbra, aliás, que visão linda. O pior dos demônios, que é a podridão que diverte o ser humano: o amor. É enxergar cores distorcidas e reluzentes de desejo de amar. Correr para o futuro mas ser impedido pelo buraco negro que suga tudo a sua volta. O segredo que todos sabem. O desejo que todos tem mas ninguém quer. A sabedoria de não escolher a podridão que o amor é. Ter a mente distorcida que corre para o desconhecido.

Universos particulares

Acredito que cada mente humana seja um universo diferente. Talvez nunca compreendemos realmente uma pessoa, pois assim como o Universo, está em expansão a todo momento, estrelas morrem e surgem continuamente, galáxias se colidem e buracos negros engolem para seu desconhecido tudo o que há em volta, não deixando nem mesmo a luz.

Não mais habitarei neste vazio que me deixa submerso aos adeus que vez ou outra você insiste em me dar mesmo que tu sempre volte com os olhos marejados pedindo novamente pra ficar..